Federação da Agricultura - None - NOTÍCIAS - 31/10/2011
O crédito no Brasil ainda vem se expandindo a um ritmo de 18% a 19% ao ano, mais do que os 15% que o Banco Central considera adequado para moderar a procura por bens e serviços no país. O crédito multiplica a capacidade de consumo e investimento na economia, mas no Brasil quase não tinha relevância até bem pouco tempo atrás. Agora representa cerca de 49% do PIB.
É um índice baixo, se comparado a economias avançadas (mas no caso desses países ficou comprovado que o endividamento era, e ainda é, excessivo) e até mesmo aos de nações com grau de desenvolvimento semelhante ao nosso.
Exatamente por partir de uma base muito acanhada, o crédito no Brasil cresce a taxas que podem parecer insustentáveis, se vistas superficialmente. Mas há boas razões para tal expansão.
O exemplo mais claro é o do crédito imobiliário , antes quase inexistente. É provável que os financiamentos para a compra de casa própria em 2011 evoluam mais que 50% em relação ao montante de 2010. Entretanto, no total não chegarão a representar 5% do Produto Interno Bruto, o que é um percentual irrisório sob qualquer parâmetro internacional. E nacional
Mais de 1,5 milhão de novos domicílios estão sendo construídos por ano no país, o que abre a perspectiva de se eliminar o déficit habitacional durante toda esta década. Estamos no momento da nossa história em que haverá mais brasileiros na faixa de 20 a 30 anos, uma idade certa para o financiamento de longo prazo, pois se tem fôlego e disposição para encarar um endividamento que comprometa um quarto ou um terço da renda mensal.
Além da casa própria, os brasileiros querem ter acesso a bens de consumo essenciais na vida moderna (eletrodomésticos, eletroeletrônicos, veículos) e o crédito pode ser um atalho para materialização desses sonhos.
Por isso, ainda por vários anos o crédito continuará se expandindo aqui mais do que a média da economia.
O complexo de caranguejo (como se sabe, o animal costuma ser cozinhado vivo, em uma grande panela com água que vai esquentando aos poucos; no desespero, um caranguejo puxa o outro para baixo, e nenhum consegue escapar) é um dos desafios de comunicação que as empresas do grupo Eike Batista encontram pela frente. Como seus projetos são audaciosos, muita gente no mercado financeiro põe em dúvida a capacidade de as empresas realizá-los. Por ser uma companhia de petróleo, a OGX tem sido um dos alvos prediletos desse complexo de caranguejo, mas no ano que vem o rumo da conversa tende a mudar. Cada poço da formação Waimea descoberta pela OGX na Bacia de Campos deve produzir cerca de 15 mil barris diários de um óleo classificado como médio, e de boa qualidade (baixo teor de enxofre e metais, pouca acidez). As vendas iniciais desse óleo foram feitas para a Shell, por uma cotação média de US$5,5 abaixo do Brent, embora o mercado especulasse que esse desconto poderia chegar a US$15.
Mantida a cotação, com cada poço produzindo 15 mil barris diários de petróleo, a OGX passará a faturar cerca de US$50 milhões por mês. E os planos da empresa preveem três poços em produção até o fim de 2012, o que daria cerca de US$150 milhões mensais de faturamento.
Além de Waimea, a OGX começará a produzir gás natural no Maranhão, para uma termelétrica de outra companhia do grupo (MPX) que vai gerar 700 megawatts. Os poços terrestres da OGX no Maranhão têm condições de produzir até seis milhões de metros cúbicos por dia.
O BS-4, um bloco de águas profundas na Bacia de Santos relativamente próximo do Rio, era meio patinho feio no setor até as descobertas do pré-sal. Duas grandes acumulações de petróleo foram encontradas nas camadas de pós-sal do BS-4, mas o óleo é extremamente pesado, o que exigirá um esforço tecnológico para sua extração a custos vantajosos. No entanto, é a perspectiva de existir óleo mais leve na camada do pré-sal que atraiu novos investidores para o bloco, no caso a Queiroz Galvão (agora operadora) e a Barra Energia. Deixaram a concessão a Shell e a Chevron. No ano que vem serão perfurados os primeiros poços para se saber se há óleo, em volume comercial, no pré-sal do BS-4.
Toda essa demanda na área de petróleo e energia faz com que empresas de projetos de engenharia básica voltados para o setor trabalhem hoje a todo vapor. É o caso da Chemtech, que há 20 anos tinha apenas 30 funcionários; hoje seu quadro passa de 1.200. A cada ano, mais cem ingressam na empresa, a maioria composta de jovens engenheiros recrutados no mercado ou entre recém-formados. Há dez anos, a empresa, que era especializada em software para a indústria (segmento que atualmente representa 10% do faturamento da Chemtech) foi comprada pela Siemens. Mas ela é a única empresa do grupo alemão no mundo com essa característica (engenharia básica industrial). Por isso tem vida própria, sem tutela da Alemanha. A Chemtech é presidida por um jovem executivo, Daniel Moczydlower, cuja família, de origem polonesa e judaica, está na quarta geração no Brasil (ele mesmo ainda não conhece a Polônia).
O novo desafio da Chemtech é para a OSX. A empresa participa do consórcio encarregado de elaborar o projeto da OSX-4, a primeira plataforma de petróleo do grupo EIke Batista que será montada no Brasil. E a ideia é que seja uma plataforma que possa ser adaptada para operar em diferentes campos. Pode-se dizer que será uma plataforma flex, modelo que terá de ser concebido inteiramente no Brasil. Não por acaso a Chemtech será o coração do centro de pesquisas que a Siemens vai montar no parque tecnológico da UFRJ na Ilha do Fundão, de olho no desenvolvimento da indústria brasileira de energia renovável, e também na de petróleo e gás.
Autor: George Vidor. Fonte: O Globo