Mais provisões bancárias em tempo de incertezas
Estadão - SP - ECONOMIA - 18/10/2011 O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Os indicadores de inadimplência das pessoas físicas e das empresas não são, por ora, preocupantes, mas os bancos privados têm aumentado as provisões contra devedores duvidosos, em proporção maior do que os bancos públicos, mostrou reportagem do Estado, domingo. O reforço das provisões é medida prudencial, justificável em fase de desaceleração da economia. Mas, se as provisões forem excessivas, poderão limitar a oferta de crédito.
Entre junho e agosto, segundo o Banco Central, para cada R$ 1,00 provisionado, os bancos privados emprestaram R$ 9,10 e os bancos públicos, R$ 34,90. No período, as operações de crédito aumentaram 3,6%, nos bancos privados, e 5,8%, nos públicos, mas as provisões cresceram, respectivamente, 6,5% e 3,7%. Os públicos estariam menos "protegidos" contra calotes, portanto.
Se o governo, como controlador do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do BNDES, repetir o que fez na crise de 2008, a tendência será de aumento da oferta de crédito pelos bancos públicos, em comparação com os bancos privados. Essa política foi bem-sucedida, do ponto de vista do crescimento econômico. Quanto à qualidade dos créditos, só se saberá no futuro, quando vencerem as operações longas, algumas de maior risco, como no setor de carnes ou, agora, na construção de estádios para a Copa.
Cabe reconhecer que os bancos federais desfrutam de condições excepcionais em relação aos privados, pois seriam socorridos pelo Tesouro em caso de necessidade. Entre 2008 e 2010, o Tesouro liberou R$ 236 bilhões para o BNDES, somente para assegurar o aumento do crédito, inclusive quando já não era preciso adotar uma política anticíclica.
Os dados da Serasa Experian mostram que a inadimplência do consumidor cresceu entre março e agosto, mas diminuiu em setembro - e a tendência é de queda em 2012. No caso das empresas, a inadimplência deverá crescer ligeiramente até o fim do ano, estabilizando-se em 2012.
Salvo em operações de maior risco, como o cheque especial e cartões de crédito, a inadimplência é baixa - inferior a 2% no crédito imobiliário garantido por alienação fiduciária.
Historicamente, os grandes bancos privados aumentam muito as provisões em momentos de incerteza. Infelizmente, se essa política for acompanhada de redução da oferta de crédito, as empresas que dependem dos bancos serão penalizadas - algumas, sem recursos, sairão do mercado.
Não parece haver, por ora, motivos para uma forte elevação de provisões e um grande corte no crédito.