Segunda, 25 de março de 2019
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Cenário: casa própria volta a ser financiada pelos bancos

[ Agência Estado - 2007-07-13 - Online ]

01:19 CENÁRIO: CASA PRÓPRIA VOLTA A SER FINANCIADA PELOS BANCOS 

São Paulo, 13 - Depois de 20 anos de ausência, os bancos retomam agora o papel até então
assumido pelas construtoras de financiar a compra de imóveis. Em conseqüência da regulação
mais eficiente e da economia estável, as instituições financeiras alongam os prazos do crédito
imobiliário e reduzem as taxas de juros. Bradesco e Itaú já fazem financiamento de 25 anos e a
BM Sua Casa, empresa da Brazilian Mortgages, oferece até 30 anos de prazo. Há cerca de
cinco anos, os prazos nunca superavam os 15 anos. Trata-se do início de uma nova realidade no
mercado imobiliário brasileiro, com expressivo aumento da oferta de crédito.

No ano passado, os bancos destinaram mais de R$ 23 bilhões ao crédito imobiliário -
somando-se recursos da poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) -,
valor que deve crescer mais de 25% este ano, para quase R$ 29 bilhões. Apesar da expansão,
a oferta de crédito no Brasil ainda é bastante modesta na comparação com a de outros países.
A relação crédito imobiliário/PIB no País é de 2%, enquanto nos Estados Unidos é de 66%, no
Reino Unido, de 86%, e no Chile, 15%. Nos países desenvolvidos, esse tipo de crédito é
acessível a toda a população, devido às condições mais favoráveis de juros e prazo, sem contar
que há mais facilidade de renegociação dos contratos.

Recentemente, em evento do setor de construção, o diretor-executivo da vice-presidência de
Incorporação Imobiliária do Secovi-SP, Celso Petrucci, avaliou que existe grande potencial de
crescimento do crédito imobiliário no País, pois os bancos financiam em média apenas 55% do
valor do imóvel. Petrucci citou, entre as tendências do mercado, financiamentos imobiliários com
prazos superiores a 30 anos, chegando a 100% do valor do imóvel. Outra expectativa é que os
contratos com juros prefixados ganhem volume em detrimento dos financiamentos com taxas
pós-fixadas, devido à segurança que dá ao mutuário.

Por enquanto, a marca dos 30 anos de financiamento foi alcançada apenas pela BM Sua Casa,
empresa criada em maio pela Brazilian Mortgages. Um dos nove produtos da BM Sua Casa, o
BM Super Prazo, oferece taxa de 0,9% ao mês mais IGP-M, com prazo de 30 anos para a
compra de imóveis residenciais. Os empréstimos são limitados a imóveis na faixa de preço de
R$ 30 mil a R$ 300 mil, com parcela máxima financiada de 80%.

Entre os bancos de varejo, o Bradesco alongou de 20 para 25 anos o prazo para financiamento
de imóveis novos e usados. O objetivo é atender um número maior de clientes, com prestações
que caibam no bolso. Outro objetivo é permitir a compra de imóveis de maior valor, pois o preço
será diluído nas prestações. Os juros foram mantidos, de acordo com o diretor-executivo, Ademir
Cossiello. A linha prefixada tem taxa de 12,5% ao ano e a pós-fixada, de 8% a 11,5% ao ano
mais variação da Taxa Referencial (TR). O Bradesco emprestou R$ 669 milhões para a compra
de imóveis no primeiro trimestre do ano e quer fechar 2007 com R$ 3 bilhões, acima dos R$ 2,1
bilhões no ano passado.

O Itaú também começou a oferecer financiamento imobiliário com prazo de 25 anos e já tem
parcerias com incorporadoras como Gafisa e Even. Com a Gafisa o acordo foi feito na linha
"financiamento na planta", anunciada pela incorporadora neste mês. A inovação dessa
modalidade é que o financiamento bancário começa antes da entrega das chaves, formato que
deverá ser adotado por outras incorporadoras e por outros bancos de agora em diante. Na
avaliação do diretor de Crédito Imobiliário do Itaú, Luiz Antonio França, a tendência é que as
construtoras se concentrem no negócio principal, deixando a tarefa de financiar o mutuário para
os bancos, hoje interessados nesse mercado.

As novidades não se restringem ao alongamento de prazos ou início do financiamento antes das
chaves. O financiamento de 100% do valor do imóvel, esperado pelo Secovi-SP, ainda se limita
a situações específicas, mas já começa a ocorrer. O ABN Amro, por exemplo, faz empréstimo
desse porte apenas para quem tem casa própria e pretende comprar uma nova. Nesse caso,
tanto a casa antiga quanto a nova são dadas como garantia no contrato, e o banco financia
100% do valor do imóvel a ser adquirido. É a chamada garantia dupla.

Também existem instituições facilitando a composição de renda para a compra do bem. É o
caso do HSBC, que acaba de adotar o sistema de condomínio no crédito imobiliário, por meio
do qual qualquer pessoa pode se juntar a outra, independentemente de sexo, idade ou grau de
parentesco, para adquirir um imóvel. Antes, isso só era possível entre cônjuges. O contrato
emitido pelo banco tem poder de escritura pública e descreve a participação de cada um dos
contratantes no imóvel.

Há ainda linhas de crédito que usam o imóvel como garantia, mas que permite a alocação dos
recursos para outras finalidades distintas do financiamento imobiliário. A BM Sua Casa possui a
linha BM Crédito Fácil, de financiamento de até 50% do valor do imóvel que o cliente já possui,
mesmo que não quitado, para ser usado para qualquer fim. O prazo máximo dessa linha é de
dez anos, com 1% ao mês mais IGP-M.

Apesar das mudanças já ocorridas, os setores financeiro e de construção civil acreditam que a
explosão do crédito imobiliário ainda está por vir. O Bradesco estima que o financiamento
habitacional deve sair dos atuais 2% e alcançar 10% do PIB em dez anos. Para as construtoras
e incorporadoras, o setor imobiliário não está vivendo um boom, nem existe a temida bolha
especulativa, mas uma recuperação do mercado estagnado dos últimos 20 anos, que gerou uma
demanda reprimida.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, existe um déficit habitacional no País de oito milhões de
unidades. Embora este número esteja amplamente concentrado na população de baixa renda,
que será atendida apenas por meio de política pública de subsídios, existe uma parcela
significativa de potenciais compradores para a primeira moradia, além daqueles que já
possuem casa própria, mas têm a intenção de trocá-la por imóvel maior ou de melhor padrão.
(Chiara Quintão e Silvia Fregoni)
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