Notícias

[ IG - Economia / Online - 17/11/2011 - pág: Online ]

BC do B volta atrás nas medidas prudenciais

IG - Economia - None - COLUNAS - 17/11/2011

O BC na última sexta-feira decidiu voltar a trás e aliviar algumas medidas prudenciais tomadas no final de 2010, ou seja, há menos de um ano atrás.

Naquela ocasião o BC tomou medidas que tornavam as operações de financiamento ao consumo de prazos superiores a três anos mais caras. Além disto, o BC decidiu aumentar o montante de pagamento mínimo nas faturas de cartão de crédito.  O BC do B argumentava que tais medidas eram necessárias para evitar exageros na oferta de crédito ou a formação de bolhas de crédito. Eram, portanto, medidas preventivas que visavam impor uma maior prudência aos bancos quando da concessão de crédito. Por isto chamavam-nas medidas prudenciais.

Na última sexta o BC decidiu reduzir tais exigências de forma relevante, voltando atrás na maioria das medidas tomadas, reduzindo assim seu efeito prudencial.  Se a lógica do anúncio inicial prevalecer, o BC terá que assumir que foi prudente demais quando implementou tais medidas há 11 meses ou terá que dizer que os bancos podem ser mais imprudentes daqui para frente. Uma terceira alternativa seria o BC vir a público e confessar que tais medidas serviram somente para esfriar a economia e assim evitar elevações de juros, o que acabou surtindo efeito. Logo, como a desaceleração da economia na visão do BC é intensa e isto indicaria que a inflação deva convergir para meta em 2012, o BC sentiu-se a vontade em revogar as medidas, uma vez que, na sua avaliação a prudência não seria mais necessária.

Porém é importante notar que, de junho para cá,  a taxa de crescimento anual da carteira de crédito dos empréstimos a pessoas físicas (excluindo o crédito imobiliário ) desacelerou, como vemos no gráfico abaixo, marcado em vermelho:

Além disto, a inadimplência dos empréstimos a pessoas físicas vem subindo desde o início do ano, quando foram tomadas as medidas prudenciais:

Pergunta: será que as tais medidas prudencias  aceleraram o  reconhecimento dos problemas de crédito dos bancos, que já eram então latentes depois dos abusos de 2009 e 2010, e com isto causaram uma maior inadimplência ao dificultar o refinanciamento das dívidas dos indivíduos?

Assim, uma outra maneira menos sofisticada e talvez mais objetiva de avaliar os motivos que levaram o BC a rever tais medidas  seria focar nos  seus impactos nos banco médios. Tais medidas afetaram diretamente os bancos médios que já têm outros desafios importantes a encarar, como a falta de escala em seus negócios e as dificuldades na captação de recursos quando comparados aos bancos de grande porte. Nas últimas semanas várias notícias que saíram na mídia dão sinais que as dificuldades dos bancos pequenos aumentaram recentemente com a piora na inadimplência. Logo, faria sentido aliviar as restrições de crédito num ambiente destes.

Autor: Ricardo Gallo