BB desacelera lucro com aperto no crédito
Folha de S. Paulo - SP - HOME - 15/02/2012
Banco teve ganho recorde de R$ 12,1 bi e ativos devem passar de R$ 1 tri no início do ano
DE SÃO PAULOMaior instituição brasileira, o Banco do Brasil foi também um dos que mais sentiram as medidas de esfriamento no crédito adotadas pelo Banco Central em 2011.
Os empréstimos para o consumidor pessoa física cresceram 15,5%, totalizando R$ 130,6 bilhões -pouco menos do que o intervalo de 17% a 21%, previsto inicialmente.
Apesar das medidas do BC, o banco teve lucro recorde de R$ 12,1 bilhões em 2011, resultado 3,6% superior a 2010.
Segundo Ivan Monteiro, diretor financeiro do BB, as medidas para desestimular os financiamentos de prazos longos impactaram o segmento de veículos e o de consumo, especialmente no Banco Votorantim, onde o BB tem 50% de participação. Ele afirmou, no entanto, que o impacto foi aliviado no final de 2011, quando o BC reverteu as medidas. "Tivemos reação imediata no crédito", disse.
Em 2011, o destaque ficou para o crédito imobiliário , segmento em que o BB entrou atrasado, que mais que dobrou -saltou de R$ 3,4 bilhões para R$ 7,6 bilhões.
Para 2012, o BB prevê novo ano de crescimento agressivo no crédito. A expectativa do banco é que a expansão seja da ordem de 17% a 21%, sendo que para pessoa física a alta deve ser de 19% a 23%.
O banco prevê passar, no início deste ano, a marca de R$ 1 trilhão em ativos totais; no ano passado, terminou com R$ 981,1 bilhões.
VOTORANTIM
O Banco Votorantim, do qual o BB tem 50%, teve prejuízo de R$ 201 milhões em 2011, resultado que contrasta com o lucro de R$ 1,015 bilhão em 2010.
As perdas decorreram do aumento da inadimplência após as medidas de esfriamento do crédito do BC.
A inadimplência para pessoa física atingiu 22,8% (60 dias) no fim de 2011 -um ano antes, estava em 12,1%.
Com isso, as despesas para cobrir eventuais calotes subiram de R$ 1,634 bilhão em 2010 para R$ 3,589 bilhões no final de 2011.
Segundo o BB, o Votorantim passou a adotar uma política mais conservadora no tratamento das provisões de crédito.
(TS)